segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Ta na ponta da lingua

Quantas vezes no meio de uma conversa sobre filme, você ficou tentando lembrar o nome daquele ator famoso e não lembrava o nome dele, aquele que fez aquele filme, como que é o nome mesmo. Ou num papo de musica, você ficou cantarolando uma melodia sem letra, um “na na na”, que ninguém entende, fazendo papel de ridículo para tentar lembrar da tal musica. Ou o nome de fulano que estudou com vocês na quinta série, o que casou com a Claudia, você lembra com quem ele casou, onde mora, qual carro tem, a idade, mas não consegue lembrar o nome do desinfeliz. Não da a impressão que a nossa memória faz isso pra sacanear. É o verdadeiro jogo da memória.

A nossa memoria é sádica, ela te deixa na mão quando você mais precisa. Ela como um filho adolescente irresponsável, some sem dar satisfação. Além de gostar de fazer charme.  Raramente sai de uma vez, quer ficar desfilando na ponta da língua. “não fala, não fala, ta na ponta da língua”. É uma vacilada e você engole. Ela não sai assim direto. Quer uma preliminar, um carinho na testa, um aperto na nuca, quer que você massageie as temporas, então quando ela acha que você merece, ela desbloqueia. Sempre temos a mesma reação, a era isso, como se disséssemos para a nossa memória: poxa, eu sabia, não era difícil. Só que o problema é que quando ela te lembra já tarde demais. A prova já acabou, a pessoa que você estava conversando já foi embora, o aniversário de casamento já passou. Então fica você lá, com a cabeça e a boca cheia de memorias inúteis. E pior com a letra da musica que você estava tentando lembrar tocando na sua mente, no ultimo volume, porque a sádica gosta de ouvir som alto. 

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