quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A voz


Será que os cachorros só nos entendem quando falamos com aquela voz de “idiota”. Aquela voz que é anasalada, você fala com um sorriso no rosto, solta uns sons estranhos no meio da frase e sempre repete a ultima sentença. Na teoria isso soa difícil, já na pratica soa ridículo. Não importa qual sua profissão, quanto dinheiro você tem, onde você está ou com qual pessoa, ao deparar-se com um cachorro (ou qualquer outro bicho "fofinho"), vai parar e falar com ele usando a voz – algumas pessoas tem sotaque nessa voz. É a mesma linguagem que usamos para falar com crianças recém-nascidas e os casais usam no inicio do relacionamento. O que os três tem em comum? É que nenhum dos três com quem falamos podem responder pelo seus atos, pois são “irracionais”.
A vantagem dessa linguagem é que ela é universal. Pode você falar com qualquer cachorro, bebe, namorada, de qualquer lugar do mundo que eles vão entender. Não existe curso pra aprender a falar desse jeito. Aprendemos sozinho. Todo mundo é bilíngue. Muita gente não sabe que pode falar esse “idioma”, até encontrar um bebe fofo ou começar a namorar. Pode colocar no currículo, “idiomas: português e voz de falar com cachorro”.
Meu único medo a respeito de falar assim, é que se algum dia o cachorro vir a falar, ele falar com essa voz. Ai a culpa é nossa.

- Cade o nenenzinho da mamãe? – fala para o cachorro, usando a voz.
- To aqui. – responde o cachorro.
- Cade o nenenzinho da mamãe?
- To aqui. – de novo.
- Cade o nenenzinho?
- Porra.
Chega o outro cachorrinho da casa.
- O que está acontecendo? – pergunta o recém chegado.
- Ela ta fazendo aquilo de novo?
- Quem é o outro nenenzinho? – Ela fica tão animada que chega a balançar o rabo.
- Sim.
- Como eles podem ser considerados a raça mais inteligentes?
- Cade os nenenzinhos da mamãe?
Os dois olham para ela.
- Não sei.
Viram as costas e deixam ela sozinha de quatro no chão.

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