segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Retrospectiva e Expectativa

Em minha primeira virada de ano, de 2009 para 2010, como comediante, lembro-me de ter escrito um post: “retrospectiva e expectativas”, com as boas coisas que aconteceram e com o que esperava do próximo ano. Como todas as expectativas algumas foram alcançadas, outras não, o que não chegou a me frustrar, já que coisas boas também aconteciam. Na virada seguinte fiz uma retrospectiva, mas não escrita. E em 2011 para 2012, não fiz. Não que tenha influenciado em algo, mas acho bom fazer esse balanço. Não acredito que a coisa de um dia para o outro só porque mudou o calendário começa outra vida. Mas até que é bom você ter esse fim de ciclo pra parar e pensar. Então resolvi fazer esse ano.
O ano de 2012 começou com uma noticia não tão boa de que iria acabar o show semanal, as segundas, que eu acabara de entrar. O Santa Comédia, e isso me deixou um pouco assustado porque foi onde eu aprendi o pouco que eu sei, conheci grandes comediantes, me ferrei, além de ser o único fixo que eu tinha. Estava com medo. Porém como diz o ditado “quando uma porta se fecha, uma janela se abre”, no meu caso foram varias. Não tinha mais um show fixo, mas fui acolhido em vários outros shows e ajudado por grandes pessoas que me deram boas oportunidades e não posso deixar de agradecer: o Italo, Danilo, Fernanda, Paula e Marco Zenni. Muito obrigado.
Tive a oportunidade de me apresentar em grandes palcos da comédia nacional e dividi-lo com grandes comediantes/humorista dos quais admiro o trabalho. Participei do RISADARIA, VIRADA CULTURAL, RISORAMA, RISOLÓGICO E RIRTROSPECTIVA. Em todos eu estava com muito medo, pois sabia da responsabilidade e não entendia, nem acreditava, o porquê tinham me chamado. Mas todas a experiências foram muito boas.
Além da comédia standup, foi o ano que comecei a conhecer melhor sobre a escrita e percebi que é isso o que eu quero fazer. Escrever. Roteiros, livros, filmes, crônicas, diálogos, frases, poesia, standup. O que eu quero é escrever. E tive mais certeza disso quando vi coisas que eu tinha escrito na boca dos outros. Tive o prazer de ter essa experiência duas vezes esse ano, as duas durante o FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA, um dos maiores festivais do Brasil, no qual tive o prazer de ter duas peças encenadas. A primeira “EU TE ODEIO, MEU AMOR”, que quem abraçou a idéia foi o meu grande amigo Rodolfo Pereira, quando falei que tinha uma idéia de uma peça, ele falou que faria sem ao menos ter lido, até porque eu ainda nem tinha escrito. Terminei de escrever na ultima hora como todo bom Brasileiro e ele como havia me prometido, fez. A segunda foi com “ATÉ QUE O CASAMENTO NOS SEPARE”. Essa feita pelo Marco Zenni (e a sensacional Lilian Marchiori), a quem eu só tenho que agradecer desde que eu comecei a me meter na comédia foi ele quem mais me ajudou, acreditou em mim e dessa vez não foi diferente. Ele me chamou para uma reunião e disse que tinha inscrito uma peça no festival, mas que não tinha texto e que queria que eu escrevesse. Falei que não sabia escrever, mas que podia tentar, resposta essa que não fazia muito sentido, já que faltava um mês para a estréia da peça e eu tinha que escrever, eles teriam que ensaiar. Abracei a causa, sem saber o que estava fazendo ou se daria certo, com o Marco me ligando e mandando e-mails com frequência e eu angustiado. Afinal como um cara solteiro, de 23 anos, que nunca teve um relacionamento iria escrever uma peça sobre casamento?, não sei como, mas sei que consegui e no final das contas – por sorte – deu tudo certo, a peça durante o festival foi sucesso, tanto que depois eles fizeram duas mini temporadas no passar do ano e voltam a estar em cartaz em fevereiro. Com isso tive mais esse prazer. De não estar falando, mas sim estar assistindo, e ver as pessoas ao redor divertindo-se, emocionando-se, até mesmo questionando-se, sem ao menos saber quem escreveu, apenas porque gostaram.
Não sei se sei escrever, mas é o que eu quero.
Nós temos a mania de reclamar mais do que agradecer. É do ser humano. Somos bons nisso, em reclamar. Não é uma coisa ruim, é extinto. Mas podemos mudar o habito e começar a agradecer. Ver as coisas boas e ficar feliz. É difícil, eu sei, eu também estou tentando criar esse habito. Por que nós sempre vemos o lado ruim, é muito mais fácil abrir os olhos no escuro do que no claro, temos a tendência a focar no que é ruim. Mas estou tentando me apegar ao máximo no que é bom. Valorizar. Ouço muitas reclamações de que o mundo esta ruim, está cheio de gente má, que quer te passar a perna, porem também existe as pessoas boas, as que querem ajudar, por que ao invés de darmos atenção para os “filhas da puta” por que não focamos nos “gente boa”. Se de dez pessoas, oito são pessoas “ruins” e duas são “boas”, valorize as duas boas. Não ligue para o que os outros oito fazem ou pensam.
Lógico que a maioria do tempo estou com medo do futuro, angustiado com o que pode acontecer, não sei se sei escrever, mas estou escrevendo. Por vezes não gosto do que eu escrevo, então gosto, dali a pouco não gosto de novo, mas vou continuando, pois foi o caminho que eu escolhi – e é o caminho que estou percorrendo. Então vou continuar a fazer e enquanto estiver dando certo.
Enfim esse ano que passou teve muitas outras coisas boas, alias desde que eu comecei a trabalhar com a comédia e a escrita só tenho tido coisas boas. E por vezes esqueço de agradecer. Agradecer a todos que me leem, assistem, ouvem, etc. mesmo que depois não gostem. Agradecer a oportunidades. Agradecer as alegrias. Agradecer as pessoas boas que tive o prazer de conhecer, e isso é uma das melhores coisas. Obrigado. Obrigado. Obrigado.

Ah, e sobre as expectativas? Estou aprendendo a me desapegar delas. Não ligar. Não dar atenção. Assim não fico frustrado caso elas não aconteçam. Quero só trabalhar com o que eu gosto e ver no que dar.
Em 2013 não vou criar expectativas, elas são muito carentes, gasto muito tempo tendo que alimenta-las.

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