quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Primeiro dia de academia


Vivemos na era da ditadura da beleza. O mercado de estética é um dos que mais cresce. Com ele veio junto os booms das academias. Segundo dados: para cada cinco lanchonetes fast food existe uma academia. Ou seja, você podia ter saido pra comer uma batata frita e ter acabado numa esteira.
O numero de novas academias novas que abrem são quase quanto os de igrejas. A coisa está tão séria que, corre o risco, um dia você acordar e estar no meio de um culto, ou de uma aula de spennig. Nos dois casos vai ter alguém gritando. Do jeito que as coisas estão, daqui um tempo vão abrir uma: Academia Igreja. Você conta os exercícios no terço, ou faz uma série de quinze exercícios, reza um pai nosso, mais um, outro pai nosso. Dez por cento da mensalidade vai para o dizimo. Uma hóstia feita com suplemento, é o corpo de Jesus – sarado.
As demandas pelas as academias cresceram porque foi imposto um padrão de beleza. Não sei quem foi que criou esse padrão de beleza, onde foi essa reunião, mas eu não me encaixo nele. Talvez nem o cara que criou o padrão se encaixe. Estive até pensando em organizar uma passeata pra reivindicar por algumas mudanças no tal padrão, ou pelo menos baixar um pouco o nível. Uma passeata do. M.F.E.D.MDQS: Movimento dos Feios, Estranhos, Diferentes, Meus Deus que Susto.
Mas enquanto não consigo reunir gente o suficiente para essa causa – quem quiser fazer parte favor entrar em contato no site do M.F.E.D.MDQS – entrei na academia pra ver se consigo me encaixar no padrão, nem que for pela média, ou pelo menos passar despercebido.
Passei varias vezes em frente a academia pra examinar o lugar. Ver se seria ali mesmo. Ensaiei como seria a abordagem – alias estou ensaiando há uns dez anos. Então finalmente entrei. Três vezes. Quando notei que iriam chamar a policia, abri o jogo e cochichei que estava ali porque queria fazer academia. Pediram para eu falar mais alto, ainda com o telefone na mão ameaçando chamar a policia. Repeti dessa vez alto. Quando conseguiram parar de rir, meia hora depois, me deram algumas informações. Perguntei qual era o horário o que tinha menos gente malhando, não queria atrapalhar quem realmente sabe fazer aquilo. Ele me indicou o horário da tarde, horário que só tem mulheres e senhoras de idade. Menos mal, vai ter mais gente erguendo o mesmo peso que o meu, pensei.
Já de começo achei difícil, puxado, pensei em reclamar, mas achei que não seria legal, afinal de contas ainda só estava fazendo a inscrição. Pegaria mal.
Finalmente comecei, depois de tantos anos enrolando eu estava ali, pra fazer exercícios, sem ganhar dinheiro ou nota pra fazer aquilo. Era pior do que eu imaginava. Falei pra pegarem leve porque era meu primeiro dia, tudo bem que estava precisando muito, mas que não precisavam exagerar, eles rebateram alegando que aquilo era só o alongamento. Perguntei quanto cobravam só eu quisesse fazer alongamento. Para esquecermos esse negócio de erguer peso. Agora todos estavam rindo, não só os funcionários. Menos mal. Estava me enturmando. Fiz todos os exercícios conforme a personal mandou, como qualquer homem quis impressionar a mulher que estava ao meu lado, no caso a personal, então ergui mais peso do que realmente aguentava, mas como tinha muitas outras mulheres em volta, e eu não queria ser taxado como machista, ergui menos pesos do que elas. Fiz só com a barra que, diga-se de passagem, é bem pesada. Não é fácil agradar todo mundo.
Foi o primeiro dia. Primeiro de muitos, ou de pelo menos primeiro de três meses, que foi o numero de meses que eu paguei. Já consigo notar a diferença. Não é algo gritante, mas já me sinto mais forte, ou o espelho ta mentindo porque não aguenta mais eu me olhando nele.

Esse foi um pequeno passo para o homem, um grande passo para mim. Falando passo, ta doendo minhas pernas. Acho que não vou amanhã.

3 comentários:

  1. "não queria ser taxado como machista" é seeensacional! hahahahaha
    Tá certo, vamo que vamo. No pain, no gain. hahaha

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  2. Adorei! Muito bem escrita, inteligente e engraçada!

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